Departamento de Museologia

Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas

Universidade Federal da Bahia

Lideres:

Profa. Dra. Suely Moraes Ceravolo

Prof. Dr. Marcelo Nascimento Cunha

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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Museu do Indio



Interessantíssimo o texto da Prof. Dra. em Antropologia Social, Regina Abreu, extraído de sua página do Facebook:


"Museu do Índio": O que há por trás do debate sobre o prédio do Maracanã ou ainda: "Com quantos paus se faz uma canoa ou com quantos museus se faz uma história?"
O debate sobre o prédio do Maracanã, antiga sede do Serviço de Proteção ao Índio e do Museu do Índio, está sendo veiculado de maneira muito incompleta e, por isso, vou apresentar algumas outras informações para melhor entendimento do que está em causa. Havia um prédio no Maracanã, onde funcionava o Serviço de Proteção ao Índio - SPI, ligado ao Ministério da Justiça. Este órgão, SPI, veio a dar origem a atual FUNAI que também é um órgão do Governo, ligado ao Ministério da Justiça. Neste prédio do SPI, numa sessão de estudos e pesquisas, trabalhava o antropólogo Darci Ribeiro. Em 1953, Darci Ribeiro resolveu criar ali um museu voltado para a causa indígena, ele chamou o museu de "Museu do Índio" e seu objetivo era lutar contra o preconceito que recaía sobre os índios. 

O "Museu do Índio" funcionou ali até 1978, quando o Governo determinou a desapropriação daquele espaço pois pretendia derrubar o prédio para passar por ali uma linha do metrô da cidade do Rio de Janeiro. Na época, o "Museu do Índio", como órgão federal, ligado à FUNAI e ao Ministério da Justiça, buscou um outro prédio para seu funcionamento. Havia um casarão na rua das Palmeiras, em Botafogo, que pertencia ao Governo Federal, tinha sido tombado pelo IPHAN e estava desocupado. Após algumas negociações, o Governo decidiu transferir o "Museu do Índio" para este prédio e este lá permanece até hoje. 

O "Museu do Índio" é um projeto social de ponta, com a participação de muitos antropólogos e lideranças indígenas, vem realizando um trabalho exemplar relacionado à sua missão de pesquisa e apoio à causa indígena. Lá há um arquivo, uma biblioteca, áreas de exposição permanentes e temporárias, setores educativos, uma loja e um conjunto de projetos com apoios diversos e com grande expressão nacional e internacional: o projeto de salvaguarda das línguas indígenas, o projeto de ampliação das coleções e do acervo dos grupos indígenas, além de projetos educativos, exposições, filmes, publicações, seminários, pesquisa. É realmente um trabalho que vem contribuindo enormemente para a causa indígena realizado em parceria com equipes interdisiciplinares e lideranças indígenas.

Vale a pena entrar no portal do "Museu do Indio"e conferir a programação!

Entretanto, o projeto do metrô do Rio de Janeiro modificou seu traçado e o prédio que havia abrigado o SPI e o "Museu do Índio", em sua fase inicial, não foi derrubado. Foi abandonado pelo Governo, sem função social e sem ocupação. 

Foi se deteriorando com o tempo, até que um grupo de indígenas decidiu ocupá-lo já no início dos anos 2000. A partir de então, outros grupos foram se juntando à "causa" de dar uma função social para aquele prédio e a reivindicação de que ele deveria voltar a ter sua função original, de abrigar atividades de apoio à causa indígena. 

A luta dos atuais ocupantes do prédio do Maracanã, que um dia serviu como sede ao "Museu do Índio", é legítima, pois permite entrever o descaso das administrações públicas com seu patrimônio, uma vez que deixou ao abandono um prédio histórico, que constitui referência de capítulos importantes da trajetória da luta pela causa indígena no país. Este prédio do Maracanã pode e deve ser preservado como referência histórica do trabalho de precursores do indigenismo no Brasil, como Cândido Rondon e de Darci Ribeiro. 

Esta referência histórica por si só bastaria para uma ação do poder público de preservar o seu patrimônio (material e imaterial). Entretanto, até onde eu sei, o "Museu do Índio" propriamente dito não está ameaçado e vai muito bem, funcionando na rua das Palmeiras 55, em Botafogo. Talvez seja mesmo das instituições mais arrojadas deste país, com um parque tecnológico superior ao de muitas universidades, com uma equipe técnica de alto nível, com uma gestão que traz no curriculo inúmeras realizações, com parcerias bem sucedidas com grupos de pesquisa de excelência no país, como o Núcleo de Indigenismo da USP, o Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional/UFRJ, o Programa de Pós-Graduação em Memória Social da UNIRIO. Vale a pena visitar os dois locais, contribuindo para a valorização do rico patrimônio cultural indígena que nos constitui.

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